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Fazendo as malas para mudança, impressionei-me com como tudo o que tenho pode caber em tão pouco espaço. Claro que falo dos bens materiais, como roupas, sapatos, coisas do meu quarto.
Nossa! tudo o que tenho na casa em que vivi por mais de vinte anos cabe em quatro malas, uau! Enquanto eu organizava as malas, lembrava de coisas que aconteceram em casa, de passeios que fiz com o sapato que estava guardando, de como levei um baita tombo, subindo a escada, por causa do vestido longo de mais, que agora não está mais tão longo. Olhando as paredes, lembrei que se eu descascasse um pouquinho uma parte, veria alguns desenhos feitos quando criança,  já cobertos pelas camadas de novas pinturas.
Notei que os anos se passaram e que eu não ficara tão alta como esperava, já que tinha pernas compridas na infância; nem envelhecera tanto, mas, de uma forma ou de outra, crescera.
Percebi que só o que podia carregar comigo eram as lembranças. Algumas de aniversários, natais, réveillons. Agora que os anos passaram, estou indo embora para uma nova casa, construir uma nova história e dar continuidade às antigas lembranças guardadas comigo.
Ani Araujo

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